Como realizar inserção de catéter de artéria radial guiada por ultrassonografia

PorYiju Teresa Liu, MD, Harbor-UCLA Medical Center
Reviewed ByDiane M. Birnbaumer, MD, David Geffen School of Medicine at UCLA
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

A canulação da artéria radial guiada por ultrassom utiliza ultrassonografia em tempo real (dinâmica) para orientar a punção arterial; utiliza-se um dispositivo integrado de catéter sobre fio-guia ou um angiocatéter (catéter sobre agulha) para inserir o catéter na artéria radial.

(Ver também Acesso vascular.)

A artéria radial é o local mais frequentemente utilizado para o cateterismo arterial.

Quando equipamentos ultrassonográficos e pessoal treinado estão disponíveis, a orientação ultrassonográfica pode ser útil na canulação de artérias não palpáveis (p. ex., por causa de obesidade ou artéria pequena) e aumenta a taxa de sucesso da canulação da artéria radial. Este tópico focará no uso da ultrassonografia para orientar a canulação arterial. O procedimento real para canulação da artéria radial é o mesmo que quando a ultrassonografia não é utilizada; é descrito em detalhes em Como inserir um catéter de artéria radial.

Indicações

  • Dificuldade para localizar a artéria radial por palpação

Contraindicações

Contraindicações absolutas:

  • Nenhum

Contraindicações relativas:

Há algumas contraindicações relativas para canulação da artéria radial, mas depois que um local apropriado é identificado, não há contraindicações ao uso da ultrassonografia, exceto

  • Operador de ultrassom destreinado ou inexperiente

Complicações

  • Nenhum

Há algumas complicações da canulação da artéria radial, mas não estão associadas ao uso da ultrassonografia.

Equipamento

Além dos equipamentos padrão necessários para canular a artéria radial, os operadores precisarão de:

  • Aparelho de ultrassom com transdutor (sonda) linear de alta frequência (p. ex., 5-10 MHz ou mais)

  • Curativo estéril descartável e lubrificante à base de água (preferível ao frasco multiuso do gel de ultrassonografia)

  • Cobertura de sonda estéril para proteger a sonda e o cordão da sonda, e elásticos estéreis (alternativamente, a sonda pode ser colocada dentro de uma luva estéril e o cordão enrolado em uma cobertura estéril)

    Nota: será necessário um assistente para aplicar gel de ultrassom não estéril na sonda durante a colocação da capa estéril da sonda.

Considerações adicionais

  • Realiza-se o cateterismo arterial sob precauções universais (barreira) e condições estéreis.

  • A incidência de eixo curto (transversal, seção transversa) costuma ser preferida porque é fácil de obter e é a melhor incidência para identificar veias e artérias e como estão orientadas entre si. Mas a incidência transversal mostra a agulha apenas na seção transversa [ponto hiperecoico (branco)], e a ponta da agulha só pode ser distinguida pela aparecimento e desaparecimento do ponto branco à medida que o plano de imagem atravessa a ponta da agulha.

  • A incidência ultrassonográfica de eixo longo (longitudinal, no mesmo plano) é tecnicamente mais difícil de obter (é necessário manter o transdutor, a veia e a agulha no mesmo plano), mas obtêm-se uma imagem contínua de toda a agulha (inclusive de sua ponta), o que assegura uma inserção intraluminal precisa.

    A estreiteza da artéria radial aumenta a dificuldade de se obter a incidência longitudinal.

Anatomia relevante

  • A artéria radial encontra-se próxima à pele sobre o aspecto ventrolateral do punho distal, medialmente ao processo estiloide do rádio e lateralmente ao tendão do flexor radial do carpo. A artéria é mais profunda na parte mais proximal do punho e no antebraço.

Posicionamento

  • Colocar o paciente confortavelmente reclinado ou em decúbito dorsal.

  • Apoiar o antebraço do paciente em supinação, com o punho estendido, sobre o leito ou sobre uma mesa ao lado do leito; um suporte sob o punho pode ser útil.

  • Permaneça em pé ou sentado na lateral do leito, de modo que a mão não dominante fique proximal no braço com a artéria a ser canulada; essa posição permite o movimento natural da mão dominante para inserir o catéter em direção proximal.

  • Posicione o console de ultrassonografia de modo que você possa ver tanto a tela de ultrassonografia quanto o local de canulação sem ter que virar a cabeça.

Descrição passo a passo do procedimento

O procedimento para preparar o local e inserir e fixar o catéter na artéria radial é o mesmo de quando a orientação ultrassonográfica não é utilizada e não é descrito aqui na íntegra.

Preparar o aparelho de ultrassonografia e identificar a artéria radial

  • Verifique se a máquina de ultrassonografia está configurada e funcionando corretamente: coloque-a no modo bidimensional (modo B) e selecione uma sonda (linear) de alta frequência. Certificar-se de que a imagem na tela se correlaciona com a orientação espacial da sonda ao segurar e movê-la. A marca lateral na extremidade de contato da sonda corresponde a um ponto/símbolo marcador na tela de ultrassom. Ajustar as configurações do monitor e a posição da sonda, se necessário, para alcançar uma orientação esquerda-direita precisa.

  • Fazer uma inspeção preliminar por ultrassom (não estéril) da área para determinar se a veia é adequada para canulação. Utilizar uma incidência transversal (seção transversa, eixo curto) e ajustar a profundidade até que o rádio esteja visível no campo distante da tela (os marcadores de profundidade são exibidos na lateral da tela). Ajustar o ganho no console de modo que os vasos sanguíneos permaneçam anecoicos (pareçam escuros no monitor de ultrassom) e os tecidos circundantes tenham tons de cinza. As artérias geralmente são menores, de paredes espessas e arredondadas (em vez de paredes finas e ovais) e são menos facilmente comprimidas (pressionando a sonda contra a pele) do que as veias. Após identificar a artéria radial, ajustar a profundidade de modo a posicioná-la no terço médio do monitor.

  • Utilizar o modo de Doppler colorido para identificar lúmen patente e o modo de Doppler espectral para identificar o fluxo sanguíneo pulsátil na artéria.

  • Alguns clínicos determinam a presença de fluxo da artéria ulnar por palpação ou por um exame de Doppler para avaliar o fluxo colateral (1). 

  • Supinar o antebraço e prender a mão e o meio do antebraço em uma prancha para braço posicionada dorsalmente, com um rolo de gaze colocado sob o punho para manter uma extensão moderada do punho.

Preparar equipamentos e o campo estéril

  • Montar o equipamento de monitoramento da pressão arterial: colocar a bolsa de soro fisiológico IV dentro da bolsa de pressão (não pressurizada), conectar o tubo de pressão arterial à bolsa de soro fisiológico e espremer o ar residual da bolsa para dentro da linha. Suspender a bolsa, apertar a câmara de gotejamento para preenchê-la até a metade com líquido e passar a solução pelo tubo para remover o ar. Conectar o transdutor de pressão ao monitor de pressão. Posicionar o transdutor ao nível do coração (isto é, lateralmente à interseção entre a linha axilar média e o 4º espaço intercostal). Abrir o transdutor para remover o ar, configurar o sinal do transdutor como zero no monitor e, em seguida, fechar o transdutor para o ar não entrar. Certificar-se de que todo o ar é removido do tubo. Remover todas as tampas de ventilação e substituir por tampas vedadas em todas as portas. Então pressurizar a bolsa a 300 mmHg. Ao longo de todo o processo, manter a esterilidade de todos os pontos de conexão do tubo.

  • Testar o equipamento se estiver utilizando um dispositivo integrado de catéter e fio-guia: girar o catéter em torno da agulha e deslizar o fio-guia para dentro e para fora da agulha a fim de verificar se o movimento é suave.

  • Faça a assepsia da face volar do punho, na região do rádio distal onde o pulso radial é palpável

  • Deixar a solução antisséptica secar por pelo menos 1 minuto.

  • Colocar toalhas estéreis e campos estéreis grandes sobre o local (os campos estéreis grandes são para manter a esterilidade da sonda de ultrassom e do cordão).

  • Colocar máscara e gorro estéreis.

  • Coloque um avental e luvas estéreis

Colocar uma cobertura estéril sobre a sonda de ultrassom

  • Pedir para seu assistente (não estéril) aplicar gel de ultrassom (não estéril) na sonda e então segurar a sonda, com a superfície de contato virada para cima, fora do campo estéril.

  • Insira a mão dominante com luva na cobertura da sonda estéril.

  • Envolver a sonda com a cobertura estéril, primeiro segurando a sonda com a mão dominante (coberta) para inseri-la na cobertura e, então, utilizando a mão não dominante para desenrolar a cobertura estéril em torno da sonda e do cabo da sonda. Não toque no cabo descoberto nem deixe que ele toque no campo estéril ao desenrolar a cobertura.

  • Encapar firmemente o transdutor para eliminar todas as bolhas de ar.

  • Prenda a cobertura em torno da sonda com os elásticos estéreis. A sonda pode agora ser colocada sobre o campo estéril.

Anestesiar o local de canulação

  • Aplicar gel estéril para ultrassom à ponta coberta da sonda.

  • Pode-se utilizar orientação por ultrassom para injetar lidocaína de modo a evitar uma punção vascular.

  • Aspirar o anestésico local em uma seringa (p. ex., 3 mL de lidocaína a 1% em seringa de 3 mL)

  • Injetar 1 a 2 mL do anestésico na pele e por via subcutânea ao longo da via prevista de inserção da agulha.

  • Manter uma leve pressão negativa no êmbolo da seringa à medida que a agulha avança para identificar o posicionamento intravascular e evitar uma injeção intravascular.

Inserir a agulha na artéria radial utilizando orientação por ultrassom

  • Utilizando a mão não dominante, colocar a ponta da sonda na pele, sempre proximal ao ponto de inserção previsto da agulha.

  • Sempre manter a visualização por ultrassom da ponta da agulha durante a inserção.

  • Obter uma imagem transversal ótima (seção transversa) da artéria radial no antebraço distal e posicionar a artéria no centro do monitor.

  • Segurar o dispositivo de canulação entre o polegar e o indicador da mão dominante.

  • Direcionar a seringa com o bisel da agulha voltado para cima.

  • Inicialmente, deslizar levemente a sonda de ultrassom distalmente ao local de entrada na artéria alvo para guiar (conduzir) a agulha do local de inserção na pele à entrada da artéria alvo proximalmente. Apontar a agulha em um ângulo de 30 a 45 graus na pele e em direção ao ponto médio da sonda. Manter a agulha estática após a pele ser puncionada. Deslizar a sonda de ultrassom para identificar a ponta da agulha. A agulha é hiperecoica (aparece como um ponto branco no monitor de ultrassonografia na incidência transversal).

  • Avançar o dispositivo de canulação. É aconselhável manter a incidência transversal ao longo da canulação. Inclinar levemente a sonda para frente e para trás ao avançar a agulha para reidentificar continuamente a ponta da agulha [ponto branco que desaparece/reaparece à medida que você inclina (varre) a sonda]. Ou então, alternar para a incidência longitudinal (eixo longo) (mostrada no vídeo) para observar a agulha e a artéria longitudinalmente. Girar a sonda 90 graus e manter imagens longitudinais completas (no plano) tanto da agulha (incluindo a ponta) como da artéria.

  • Avançar o dispositivo de canulação para dentro da artéria. À medida que a ponta da agulha se aproxima da artéria, diminuir o ângulo de inserção de modo que a ponta da agulha entre com o máximo de controle possível e em um ângulo mais raso com a artéria. É possível ver inicialmente a agulha penetrando a parede arterial superficial e então atravessando a parede e entrando no lúmen. Um jato simultâneo de sangue vermelho vivo e pulsátil no reservatório ou corpo do dispositivo confirma a inserção intra-arterial.

  • Manter o dispositivo de canulação estático nesse local.

  • Se nenhum jato de sangue aparecer após a inserção de 1 a 2 cm do dispositivo catéter-sobre-fio integrado, retirar lenta e gradualmente o dispositivo. Se a agulha inicialmente atravessou completamente a veia, um jato de sangue pode aparecer à medida que a ponta da agulha é removida, passando de volta ao lúmen. Se um jato ainda não aparecer, retirar a agulha quase até a superfície da pele, mudar a direção e tentar avançar novamente a agulha na veia.

  • Se nenhum jato de sangue aparecer após a inserção de 1 a 2 cm do angiocatéter venoso periférico, segurar o catéter com firmeza e retirar lentamente a agulha. Um jato de sangue pode aparecer se apenas a ponta da agulha tiver perfurado a parede arterial profunda. Se um jato de sangue não aparecer, continuar o processo até que a agulha seja removida, e então retirar lentamente o catéter. Se um flash aparecer, pare de retirar e tente avançar o catéter na artéria.

  • Se ocorrer edema local rápido, o sangue está extravasando. Finalizar o procedimento: remover a agulha e utilizar compressas de gaze para manter pressão externa sobre a área durante 10 ou mais minutos para ajudar a prevenir sangramentos e hematomas.

Avaliar o retorno venoso

  • Colocar um quadrado de gaze sob o dispositivo de canulação no local de inserção.

  • Observar o reservatório ou o corpo do dispositivo para verificar o fluxo sanguíneo pulsátil. Se necessário, avançar ou retirar ligeiramente o dispositivo até o fluxo pulsátil tornar-se evidente, o que confirma a inserção intra-arterial.

  • Manter continuamente o dispositivo de canulação imóvel nesse local.

Inserir o catéter arterial

Técnica integrada de catéter sobre fio-guia:

  • Inserir o fio-guia através da agulha na artéria. Não forçar o fio-guia; ele deve correr suavemente.

    Se o fio-guia encontrar resistência, é possível que ele tenha atravessado a parede arterial. Remover o dispositivo de catéter sobre fio-guia como uma unidade, utilizar compressas de gaze para aplicar pressão na área por 10 minutos (para ajudar a prevenir sangramentos e formação de hematoma) e recomeçar em um novo local de inserção com um novo dispositivo de catéter sobre fio-guia.

  • Segurar firmemente o canhão da agulha e deslizar o catéter, utilizando um movimento de torção, sobre a agulha e o fio-guia e para dentro da artéria.

Técnica de angiocatéter:

O método de inserção é essencialmente o mesmo que ao iniciar uma IV em uma veia periférica.

  • Diminuir ainda mais o ângulo de inserção e avançar o angiocatéter mais 2 mm para certificar-se de que a ponta do catéter entrou no lúmen. Realiza-se essa etapa porque a ponta da agulha precede um pouco a ponta do catéter.

  • Segurar firmemente o canhão da agulha e deslizar o catéter sobre a agulha e para dentro da artéria; ele deve deslizar suavemente.

    Se o catéter encontrar resistência, retirar lentamente a agulha seguida pelo catéter, parando imediatamente e tentando avançar novamente o catéter se o fluxo sanguíneo é retomado. Se não for possível inserir o catéter, retirá-lo e recomeçar. Nunca retirar o catéter de volta sobre a agulha ou reinserir a agulha de volta no catéter (isso pode romper a ponta do catéter dentro do paciente). Da mesma forma, nunca retirar o fio-guia junto com a agulha. Utilizar compressas de gaze por cerca de 10 minutos para aplicar pressão externa à área.

    Às vezes, o catéter não pode ser avançado, embora esteja no lúmen; tentar avançar o catéter enquanto o lava com líquido de uma seringa.

Conectar a linha arterial

  • Conectar o tubo de pressão (pré-lavado com soro fisiológico) ao canhão do catéter e verificar uma forma de onda da pressão arterial na tela do monitor.

Cobrir o local

  • Utilizar gaze para limpar todo o sangue e líquido do local, tomando cuidado para não perturbar o catéter.

  • Suturar adequadamente o catéter no local de inserção. Para evitar necrose cutânea, ligar as alças de ar na pele e, em seguida, prender as extremidades da sutura no canhão do catéter.

  • Aplicar curativo oclusivo transparente. Discos impregnados de clorexidina no ponto de inserção são comumente inseridos antes do curativo.

  • Fazer uma volta com o tubo arterial e fixá-lo na pele longe do local de inserção, para ajudar a evitar que tração acidental no tubo desloque o catéter.

  • Anotar a data e hora da canulação no curativo.

Alertas e erros comuns

  • Após a agulha perfurar a pele, não é mais útil inspecionar o punho. Em vez disso, analisar o monitor de ultrassom e mover a sonda para procurar a ponta da agulha.

  • Durante a parada cardiopulmonar ou outras condições de hipotensão arterial e hipóxia, o sangue arterial pode estar escuro e não pulsátil e pode-se confundi-lo com sangue venoso.

  • Se a agulha não penetrou a artéria após alcançar uma profundidade apropriada, não tentar reposicionar a agulha movendo a ponta de um lado para o outro lateralmente; esse movimento pode danificar os tecidos. Em vez disso, retirar a agulha quase até a superfície da pele antes de alterar o ângulo e a direção da inserção.

  • Nunca injetar medicamentos em uma linha arterial.

  • Durante a parada cardiopulmonar ou outras condições de hipotensão arterial e hipóxia, o sangue arterial pode estar escuro e não pulsátil e pode-se confundi-lo com sangue venoso.

Recomendações e sugestões

  • É prudente confirmar a inserção verificando a imagem do comprimento do catéter dentro da artéria radial antes de suturar o catéter no local.

  • Se um assistente não está disponível, cobrir o painel de controle com revestimento estéril transparente para possibilitar a operação do aparelho durante o procedimento.

Referência

  1. 1. Golamari R, Gilchrist IC. Collateral Circulation Testing of the Hand- Is it Relevant Now? A Narrative Review. Am J Med Sci 2021;361(6):702-710. doi:10.1016/j.amjms.2020.12.001

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