Visão geral dos doenças plasmocitárias

(Disproteinemias; gamopatias monoclonais; paraproteinemias; discrasias das células plasmocitárias)

PorJames R. Berenson, MD, Institute for Myeloma and Bone Cancer Research
Reviewed ByAshkan Emadi, MD, PhD, West Virginia University School of Medicine, Robert C. Byrd Health Sciences Center
Revisado/Corrigido: modificado ago. 2024
v975998_pt
Visão Educação para o paciente

Doenças plasmocitárias, ou discrasias plasmocitárias, são um grupo diverso de doenças de etiologia desconhecida caracterizadas por

  • Proliferação desproporcional de um único clone das células B

  • Presença de imunoglobulina ou subunidade polipeptídica estrutural e eletroforeticamente homogênea (monoclonal) no soro, urina ou ambos

Fisiopatologia das doenças plasmocitárias

(Para as características estruturais e classificação das imunoglobulinas, ver Anticorpos.)

Após se desenvolverem na medula óssea, as células indiferenciadas entram nos tecidos linfoides periféricos, como linfonodos, baço e intestino (p. ex., placas de Peyer). Aqui, começam a se diferenciar em células maduras, cada uma respondendo a um número limitado de antígenos. Após confrontarem o antígeno apropriado, algumas células B sofrem proliferação clonal, transformando-se em plasmócitos. Cada linhagem clonal de plasmócitos é responsável pela síntese de um anticorpo de imunoglobulina específico, que consiste no seguinte:

  • 2 cadeias pesadas idênticas (gama [γ], mu [μ], alfa [α], delta [δ] ou épsilon [ε])

  • 2 cadeias leves idênticas (capa [κ] ou lambda [λ])

Um ligeiro excesso de cadeias leves é normalmente produzido e a excreção urinária de pequenas quantidades de cadeias leves policlonais livres ( 40 mg/24 horas) é normal.

Nas doenças plasmocitárias, a proliferação desproporcional de um clone na medula óssea resulta em um aumento correspondente no nível sérico de seu produto, a proteína da imunoglobulina monoclonal (proteína M). Proteínas M podem consistir tanto em cadeias pesadas como leves ou apenas em um tipo de cadeia (em geral, cadeias leves).

As complicações da proliferação de plasmócitos e a produção de proteína M incluem:

  • Danos a órgãos (particularmente aos rins devido à hipercalcemia ou cadeias leves tóxicas secretadas pela célula plasmática maligna): algumas proteínas M mostram atividade de anticorpos contra autoantígenos.

  • Imunidade prejudicada: há diminuição da produção de outras imunoglobulinas e respostas prejudicadas das células T.

  • Tendência a sangramento: a proteína M pode causar sangramento revestindo as plaquetas, inativando os fatores de coagulação, aumentando a viscosidade do sangue e outros mecanismos.

  • Amiloidose: a proteína M pode formar depósitos fibrilares nos órgãos, mais comumente no coração e nos rins.

  • Osteoporose, hipercalcemia, anemia ou pancitopenia: células clonais podem infiltrar a matriz e/ou a medula óssea.

As doenças plasmocitárias podem variar de doenças assintomáticas e estáveis (em que apenas a proteína monoclonal está presente) a cânceres progressivos (p. ex., mieloma múltiplo — para a classificação, ver tabela ). Raramente ocorrem doenças plasmocitárias transitórias em pacientes com hipersensibilidade a vários medicamentos (p. ex., sulfonamidas, fenitoína, penicilina), com infecções virais presumidas e depois de cirurgia cardíaca ou cirurgias de transplantes.

Tabela
Tabela

Diagnóstico das doenças plasmocitárias

Pode-se suspeitar de doenças plasmocitárias com base em manifestações clínicas, com frequência doença óssea, insuficiência renal, baixa contagem sanguínea, ou achado incidental de proteína sérica elevada ou proteinúria que leva à avaliação mais profunda por eletroforese de proteína no soro ou na urina.

A eletroforese geralmente detecta uma proteína M e/ou altos níveis séricos de cadeias leves livres.

Esses achados são investigados mais a fundo com eletroforese de imunofixação para a identificação das classes de cadeias pesadas e leves.

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
iOS ANDROID
iOS ANDROID
iOS ANDROID