Visão geral dos transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes

PorJosephine Elia, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University
Reviewed ByAlicia R. Pekarsky, MD, State University of New York Upstate Medical University, Upstate Golisano Children's Hospital
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

Embora às vezes se suponha que a infância e a adolescência são momentos de felicidade despreocupada, até 20% das crianças e 1 em cada 4 a 5 adolescentes nos Estados Unidos têm um transtorno psiquiátrico diagnosticável que causa sofrimento e comprometimento funcional (1, 2). Com o aumento da idade, a prevalência de transtornos psiquiátricos aumenta. Além disso, relatou-se que 27,9% dos adolescentes norte-americanos com 13 a 17 anos atendem aos critérios para 2 ou mais transtornos (3). Estudos que acompanham crianças do nascimento à idade adulta indicam que a maioria dos transtornos de saúde mental em adultos começa na infância e na adolescência (4). Relatou-se que os genes associados a transtornos psiquiátricos apresentam alta expressão ao longo da vida, começando no 2º trimestre de gestação e impactando os processos de desenvolvimento neurológico, o que pode explicar a idade precoce de início (5). A maioria desses transtornos pode ser vista como exageros ou distorções do comportamento e emoções típicos.

Como os adultos, as crianças e os adolescentes têm temperamento variável. Alguns são tímidos e reticentes; outros são socialmente exuberantes. Alguns são metódicos e cautelosos; outros são impulsivos e descuidados. Pode-se notar se uma criança tem o comportamento típico de uma criança ou se tem um distúrbio psiquiátrico pela presença de debilidades relacionadas com os sintomas. Por exemplo, uma menina de 12 anos pode estar receosa com a expectativa de apresentar um trabalho escolar para sua classe. Esse receio só pode ser visto como um transtorno de ansiedade social se seus medos são graves o bastante para causar aflição e evitação significativas.

Muitos sintomas de transtornos se sobrepõem aos comportamentos desafiadores e emoções de crianças sem transtorno psiquiátrico. Portanto, muitas estratégias úteis para tratar problemas comportamentais em crianças também podem ser utilizadas em crianças com transtornos psiquiátricos. Além disso, a condução apropriada das questões comportamentais da infância pode diminuir o risco de crianças com temperamento vulnerável desenvolver um transtorno clínico. Além disso, o tratamento eficaz de alguns transtornos (p. ex., ansiedade) durante a infância pode reduzir o risco de um transtorno de humor mais tarde na vida.

Os distúrbios psiquiátricos mais comuns entre as crianças e os adolescentes são divididos nas seguintes categorias:

Esquizofrenia e transtornos psicóticos relacionados são bem menos comuns. A catatonia pediátrica é mais comum do que a esquizofrenia infantil. Pode se apresentar como um transtorno psiquiátrico, mas geralmente ocorre em condições clínicas (p. ex., infecções, distúrbios metabólicos) e pode muitas vezes não ser identificado pelos pediatras (6).

Entretanto, é frequente que crianças e adolescentes tenham sintomas e problemas que se interpõem e cruzam os limites diagnósticos. Por exemplo, 15 a 35% das crianças com TDAH também têm transtorno de ansiedade, e 12 a 50% atendem os critérios para transtorno de humor (p. ex., depressão) (7).

Distúrbios do neurodesenvolvimento afetam tanto a saúde mental como o desenvolvimento geral em crianças. Algumas dessas doenças incluem

Referências gerais

  1. 1. Merikangas KR, He JP, Burstein M, et al. Lifetime prevalence of mental disorders in US adolescents: Results from the National Comorbidity Study – Adolescent Supplement (NCS-A). J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 49(10):980-989, 2010.

  2. 2. Elia J, Pajer K, Prasad R, et al. Electronic health records identify timely trends in childhood mental health conditions. Child Adolesc Psychiatry Ment Health. 2023;17(1):107. Published 2023 Sep 14. doi:10.1186/s13034-023-00650-7

  3. 3. Kessler RC, Avenevoli S, McLaughlin KA, et al. Lifetime comorbidity of DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey – Replication Adolescent Supplement (NCS-A). Psychol Med. 42(9)1997-2010, 2012.

  4. 4. Solmi M, Radua J, Olivola M, et al. Age at onset of mental disorders worldwide: large-scale meta-analysis of 192 epidemiological studies. Mol Psychiatry. 2022;27(1):281-295. doi:10.1038/s41380-021-01161-7

  5. 5. Lee PH, Anttila V, Won H, et al. Genome-wide meta-analysis identifies genomic relationships, novel loci, and pleiotropic mechanisms across eight psychiatric disorders. Cell. 2019. doi.org/10.1101/528117

  6. 6. Dhossche DM, Wachtel LE. Catatonia is hidden in plain sight among different pediatric disorders: A review article. Pediatr Neurol. 43(5):307-315, 2010. doi: 10.1016/j.pediatrneurol.2010.07.001

  7. 7. Gnanavel S, Sharma P, Kaushal P, Hussain S. Attention deficit hyperactivity disorder and comorbidity: A review of literature. World J Clin Cases. 2019;7(17):2420-2426. doi:10.12998/wjcc.v7.i17.2420

Avaliação dos transtornos psiquiátricos

A avaliação dos sintomas psiquiátricos em crianças e adolescentes difere da dos adultos em aspectos importantes:

  • O contexto do desenvolvimento (como a criança tem se desenvolvido ao longo do tempo e em comparação com os pares) é criticamente importante em crianças. Comportamentos esperados na primeira infância podem indicar transtorno psiquiátrico se observados em idade mais avançada.

  • Crianças existem no contexto de um sistema familiar, e esse sistema tem um efeito profundo sobre seus sintomas e comportamentos; crianças sem transtorno psiquiátrico que vivem em uma família com violência ou transtornos por uso de substâncias podem superficialmente parecer ter um ou mais transtornos psiquiátricos.

  • As crianças também convivem com estressores ambientais (p. ex., covid-19, conflitos militares). A resultante interrupção das rotinas cruciais e o isolamento da família estendida, colegas, professores e grupos culturais e religiosos têm um impacto significativo, especialmente nos grupos mais vulneráveis (1).

  • As crianças geralmente não têm a sofisticação linguística e cognitiva necessárias para descrever os seus sintomas de modo preciso. Portanto, o médico deve confiar em suas observações diretas confirmadas pelas observações de outras pessoas, como pais, professores ou outros cuidadores.

Em muitos casos, os problemas de desenvolvimento e comportamento (p. ex., progresso acadêmico insatisfatório, atraso na aquisição da linguagem, habilidades sociais deficitárias) são difíceis de separar dos que resultam dos transtornos psiquiátricos. Nestes casos, os testes de desenvolvimento e neurológicos devem fazer parte do processo de avaliação.

Por causa desses fatores, a avaliação de crianças com transtorno psiquiátrico é tipicamente mais complexa do que a de adultos e pode exigir uma abordagem multidisciplinar, incluindo pediatria do desenvolvimento, psicologia, psiquiatria e genética. A coordenação do cuidado com o provedor de cuidados primários (p. ex., pediatra ou médico de família) é essencial.

Referência sobre avaliação

  1. 1. Walter HJ, Bukstein OG, Abright AR, et al. Clinical practice guideline for the assessment and treatment of children and adolescents with anxiety disorders. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 59(10):1107-1124, 2020. doi: https://doi.org/10.1016/j.jaac.2020.05.005

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