Transtorno de escoriação (dermatotilexomania)

PorKatharine Anne Phillips, MD, Weill Cornell Medical College;
Dan J. Stein, MD, PhD, University of Cape Town
Reviewed ByMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry
Revisado/Corrigido: nov. 2025 | modificado jan. 2026
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Visão Educação para o paciente

Dermatotilexomania é caracterizada por escoriações recorrentes da pele, resultando em lesões cutâneas. O tratamento é feito com treinamento de reversão de hábitos, moduladores de glutamato e/ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina.

Pacientes com transtorno de escoriação friccionam ou arranham repetidamente a pele; a escoriação não é desencadeada por preocupações com a aparência ou saúde (p. ex., para remover uma lesão que eles percebem como pouco atraente ou possivelmente cancerígena). Alguns pacientes causam escoriações na pele saudável; outros em lesões menores como calos, espinhas ou crostas.

Alguns pacientes causam escoriações na pele quase que automaticamente (isto é, sem plena consciência); outros estão mais conscientes da atividade. As escoriações não são desencadeadas por obsessões ou preocupações com a aparência (que pode ser um sintoma do transtorno dismórfico corporal). Contudo, a escoriação da pele pode ser precedida por uma sensação de tensão ou ansiedade que é aliviada ao escoriar a pele, o que muitas vezes também é acompanhado por uma sensação de gratificação.

Escoriar a pele geralmente começa na adolescência, embora possa iniciar em várias idades. Em qualquer ponto no tempo, aproximadamente 2 a 3% das pessoas têm o transtorno; 60 a 75% delas são mulheres (1–3).

Referências gerais

  1. 1. Farhat LC, Reid M, Bloch MH, et al. Prevalence and gender distribution of excoriation (skin-picking) disorder: A systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res.161:412-418, 2023. doi: 10.1016/j.jpsychires.202T3.03.034.

  2. 2. Torales J, Díaz NR, Barrios I, Navarro R, García O, O'Higgins M, Castaldelli-Maia JM, Ventriglio A, Jafferany M. Psychodermatology of skin picking (excoriation disorder): A comprehensive review. Dermatol Ther. 33:e13661, 2020.

  3. 3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:284-287.

Sinais e sintomas do transtorno de escoriação

A escoriação da pele geralmente é crônica, com oscilações dos sintomas se não tratada. Os locais de escoriação da pele podem mudar com o tempo. Os padrões da escoriação da pele variam de um paciente para outro. Alguns apresentam múltiplas áreas de escoriação, por vezes com cicatrizes; outros concentram-se em apenas algumas lesões. Muitos pacientes tentam camuflar as lesões cutâneas com roupas ou maquiagem.

A escoriação da pele pode ser acompanhada por uma série de comportamentos ou rituais. Os pacientes podem procurar meticulosamente um determinado tipo de crosta para arrancar; eles podem tentar assegurar que a crosta é arrancada de uma forma específica (utilizando os dedos ou um instrumento) e podem morder ou engolir a crosta depois de ter sido arrancada.

Os pacientes com dermatilomania tentam repetidamente interromper ou diminuir esse comportamento, mas não conseguem.

Os pacientes podem se sentir constrangidos ou envergonhados com a aparência dos locais de lesão da pele ou com sua inncapacidade de controlar esse comportamento. Como resultado, os pacientes podem evitar situações sociais nas quais outras pessoas possam ver suas lesões cutâneas; normalmente não arranham a pele na frente de outras pessoas, exceto, talvez, familiares. Os pacientes podem ter comprometimento de outras áreas de funcionamento (p. ex., profissional e/ou acadêmico), principalmente por evitarem situações de socialização.

Alguns pacientes podem arrancar a pele de outras pessoas. Muitos também têm outros comportamentos repetitivos focados no corpo, como tricotilomania ou onicofagia, bem como transtorno obsessivo-compulsivo ou transtorno depressivo maior (1).

Se grave, a dermatilomania pode deixar cicatrizes, infecções, causar sangramento importante e até mesmo sepse.

Referência sobre sinais e sintomas

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:284-287.

Diagnóstico do transtorno de escoriações

  • Avaliação psiquiátrica

  • Avaliação clínica geral para excluir outras causas

Os critérios clínicos para o diagnóstico do transtorno de escoriação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR) incluem (1) os seguintes:

  • Lesões cutâneas visíveis causadas por escoriação recorrente (embora alguns pacientes tentem camuflar as lesões com roupas ou maquiagem)

  • Tentativas repetidas de diminuir ou interromper a escoriação

  • Sofrimento significativo e/ou comprometimento do funcionamento decorrente da atividade

A escoriação da pele não deve ser decorrente dos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., cocaína, estimulantes) nem de outra condição médica (p. ex., escabiose). Também não deve ser melhor explicada por outro transtorno mental (p. ex., delírios ou alucinações táteis em um transtorno psicótico, ou tentativas de remover ou melhorar um defeito ou imperfeição percebida na aparência em transtorno dismórfico corporal).

O sofrimento pode conter sentimentos de constrangimento ou vergonha (p. ex., por causa da perda do autocontrole ou das consequências estéticas das lesões cutâneas).

Referência sobre diagnóstico

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:284-287.

Tratamento do transtorno de escoriações

  • Terapia cognitivo-comportamental (especificamente, treinamento de reversão de hábitos)

  • N-acetilcisteína (NAC) ou memantina (moduladores/antagonistas de glutamato)

  • Às vezes inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) ou clomipramina

A terapia cognitivo-comportamental adaptada ao tratamento dos sintomas específicos da dermatilomania é a psicoterapia de escolha (1, 2). O treinamento de reversão de hábitos, uma terapia predominantemente comportamental, foi mais bem estudada; consiste em:

  • Treinamento de conscientização (p. ex., automonitoramento, identificação dos gatilhos para o comportamento)

  • Controle de estímulos (modificar situações — por exemplo, evitar gatilhos — para reduzir a probabilidade de iniciar a escoriação da pele)

  • Treinamento de resposta alternativa (ensinar os pacientes a substituir a escoriação da pele por outros comportamentos, como cerrar os punhos, fazer tricô ou crochê, ou sentar sobre as próprias mãos)

Os moduladores/inibidores de glutamato N-acetilcisteína (NAC) e memantina podem reduzir a gravidade dos sintomas e são cada vez mais considerados o tratamento medicamentoso de primeira linha para o transtorno de escoriação (escoriação cutânea). Em pequenos ensaios clínicos randomizados, N-acetilcisteína e memantina resultaram em redução dos sintomas de escoriação da pele significativamente mais frequente do que placebo (1, 2).

ISRSs podem ser úteis para transtornos de depressão ou ansiedade coexistentes, e evidências limitadas sugerem que esses medicamentos também possam reduzir a dermatilomania (3, 4).

Referências sobre o tratamento

  1. 1. Lochner C, Roos A, Stein DJ. Excoriation (skin-picking) disorder: a systematic review of treatment options. Neuropsychiatr Dis Treat. 2017;13:1867-1872. Published 2017 Jul 14. doi:10.2147/NDT.S121138

  2. 2. Selles RR, McGuire JF, Small BJ, Storch EA. A systematic review and meta-analysis of psychiatric treatments for excoriation (skin-picking) disorder. Gen Hosp Psychiatry. 2016;41:29-37. doi:10.1016/j.genhosppsych.2016.04.001

  3. 3. Simeon D, Stein DJ, Gross S, et al. A double-blind trial of fluoxetine in pathologic skin picking. J Clin Psychiatry. 58(8):341-347, 1997. doi: 10.4088/jcp.v58n0802

  4. 4. Bloch MR, Elliott M, Thompson H, et al. Fluoxetine in pathologic skin-picking: open-label and double-blind results. Psychosomatics. 42(4):314-319, 2001. doi: 10.1176/appi.psy.42.4.314

Pontos-chave

  • Na dermatilomania, o hábito de escoriar a pele não é desencadeado por obsessões ou preocupações com a aparência, mas pode ser precedido por uma sensação de tensão ou ansiedade que é aliviada pelo escoriamento, o que costuma ser seguido de sensação de gratificação.

  • Pacientes com dermatilomania tentam parar ou diminuir esse comportamento, mas não conseguem.

  • A dermatilomania causa lesões visíveis na pele (embora possam estar ocultas — p. ex., por roupas, cabelos ou maquiagem).

  • Tratar utilizando terapia cognitivo-comportamental adaptada para tratar sintomas específicos de escoriação (especificamente treinamento de reversão de hábitos) e/ou N-acetilcisteína, memantina ou um ISRS.

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