Transtorno de acumulação

PorKatharine Anne Phillips, MD, Weill Cornell Medical College;
Dan J. Stein, MD, PhD, University of Cape Town
Reviewed ByMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

O transtorno de acumulação é caracterizado pela dificuldade persistente de descartar ou se desfazer de bens, independentemente do valor real deles. Essa dificuldade resulta na acumulação de bens que congestionam e entulham ambientes a tal ponto que o uso pretendido desses ambientes é substancialmente comprometido. O tratamento é principalmente com psicoterapia, como terapia cognitivo-comportamental.

O transtorno de acumulação geralmente começa de forma leve durante a adolescência e gradualmente piora com a idade, causando dano clinicamente significativo por volta dos 30 anos de idade (1). Em um determinado ponto no tempo, um número estimado de 1,5 a 6% das pessoas têm transtorno de acumulação (2). É igualmente prevalente em mulheres e homens.

Referências

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:277-284.

  2. 2. Tolin DF, Worden BL, Levy HC. State of the Science: Hoarding Disorder and Its Treatment. Behav Ther. 2025;56(4):667-679. doi:10.1016/j.beth.2025.03.002

Sinais e sintomas do transtorno de acumulação

O transtorno de acumulação é tipicamente crônico, com pouca ou nenhuma oscilação dos sintomas ou remissão espontânea.

Os pacientes têm necessidade intensa de guardar itens e experimentam sofrimento significativo ao se separar de itens ou pensar em desfazer-se deles. Pacientes acumulam um grande número de itens para os quais eles não têm espaço adequado; os itens congestionam e atravancam os ambientes a tal ponto que esses ambientes tornam-se inutilizáveis, exceto para armazenar os itens acumulados. Por exemplo, pilhas de jornais acumulados podem encher a pia e cobrir as bancadas e o fogão na cozinha, impedindo que essas áreas sejam utilizados para preparar refeições.

A acumulação frequentemente prejudica o funcionamento social, ocupacional ou de outras áreas. Por exemplo, os pacientes podem não permitir que outras pessoas, incluindo membros da família, amigos e técnicos, entrem na sua casa porque ficam envergonhados com a desordem.

A acumulação pode resultar em condições de vida inseguras (p. ex., criando um risco de incêndio ou aumentando o risco de quedas) e pode levar a despejos ou problemas legais.

Aproximadamente 80 a 95% das pessoas com transtorno de acumulação também adquirem itens em excesso (p. ex., livros, assinaturas de revistas [1, 2]), o que contribui para o problema de acumulação.

A síndrome de Noé é uma forma de transtorno de acumulação em que os pacientes acumulam um grande número de animais e não fornecem nutrição, saneamento e cuidados veterinários adequados, apesar da deterioração dos animais (p. ex., perda ponderal, doença) e/ou ambiente (p. ex., superlotação extrema, condições altamente insalubres).

O grau de insight que os indivíduos têm sobre seu transtorno de acumulação varia. Alguns pacientes reconhecem que as crenças e comportamentos relacionados com a acumulação são problemáticos, mas outros não.

Referência sobre sinais e sintomas

  1. 1. Frost RO, Tolin DF, Steketee G, et al. Excessive acquisition in hoarding. J Anxiety Disord. 23(5):632-639, 2009. doi: 10.1016/j.janxdis.2009.01.013

  2. 2. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:277-281.

Diagnóstico do transtorno de acumulação

  • Avaliação psiquiátrica

Os critérios clínicos para o diagnóstico do transtorno de acumulação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR) incluem os seguintes (1):

  • Dificuldade persistente de descartar ou se desfazer dos bens, independentemente do valor real deles.

  • A dificuldade de descartar ocorre por causa da necessidade percebida de guardar os itens e ao sofrimento associado com o descarte deles.

  • Os bens acumulados congestionam e atravancam ambientes ativos (isto é, exceto porões ou áreas de armazenamento) e comprometem substancialmente a utilização prevista desses ambientes.

  • A acumulação causa sofrimento significativo ou prejudica significativamente o funcionamento social, ocupacional ou de outras áreas.

A acumulação é distinguida do acúmulo e entulhamento transitórios (p. ex., quando a propriedade é herdada) por sua persistência e outros características; além disso, os pacientes resistem a doar ou vender os itens acumulados. Os colecionadores (p. ex., de livros ou de estatuetas), como os acumuladores, podem adquirir e manter um grande número de itens; contudo, m comparação com a acumulação, as coleções são organizadas e sistemáticas e não desordenam significativamente o espaço necessário para a vida diária nem comprometem seu uso pretendido ou prejudicam o funcionamento ou a segurança do ambiente doméstico.

A acumulação não deve ser melhor explicada por uma condição médica geral (p. ex., síndrome de Prader-Willi) ou por outro transtorno psiquiátrico (p. ex., delírios na esquizofrenia). O diagnóstico também pode incluir um especificador do nível de insight do paciente (bom ou razoável, pobre ou ausente/com crenças delirantes) ou de aquisição excessiva.

Referência sobre diagnóstico

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:277-281.

Tratamento do transtorno de acumulação

  • Terapia cognitivo-comportamental

  • Papel limitado da farmacoterapia

A terapia cognitivo-comportamental adaptada ao tratamento dos sintomas específicos de acumulação é geralmente a terapia de primeira linha. Entretanto, ensaios clínicos para terapia cognitivo-comportamental apresentaram resultados mistos (1, 2) e outras intervenções psicológicas (como a terapia de aceitação e compromisso [TAC]) podem ser igualmente eficazes (3). A terapia se concentra em ajudar os pacientes a descartar itens, se abster de adquirir coisas novas (se a aquisição excessiva é um problema) e melhorar sua capacidade de tomar decisões.

Muitas vezes são necessárias técnicas motivacionais para incentivar os pacientes a se engajar e permanecer no tratamento.

Nenhum estudo de alta qualidade examinou o uso de farmacoterapia para pacientes com transtorno de acumulação (4). No entanto, intervenções farmacológicas podem ser de algum benefício, especialmente para pacientes com comorbidades potencialmente responsivas (p. ex., transtornos de humor ou transtornos de ansiedade) (5). Vários pequenos estudos observacionais de pacientes com transtorno de acumulação que foram tratados com um inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS), um inibidor da recaptação de serotonina-noradrenalina (IRSN), ou atomoxetina mostraram redução na gravidade da acumulação (6–8).

Referências sobre o tratamento

  1. 1. Rodgers B, McDonald S, Wootton BM. Cognitive behavioral therapy for hoarding disorder: An updated meta-analysis. J Affect. 290:128-135, 2021. doi: 10.1016/j.jad.2021.04.067

  2. 2. Bodryzlova Y,  Audet S-B, Bergeron K, et al. Group cognitive-behavioural therapy for hoarding disorder: Systematic review and meta-analysis. Health Soc Care Community. 27(3):517-530. doi: 10.1111/hsc.12598 

  3. 3. O'Brien E, Laws KR. Decluttering Minds: Psychological interventions for hoarding disorder - A systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res. 2025;181:738-751. doi:10.1016/j.jpsychires.2024.12.029

  4. 4. Lin N, Bacala L, Martin S, Bratiotis C, Muroff J. Hoarding Disorder: The Current Evidence in Conceptualization, Intervention, and Evaluation. Psychiatr Clin North Am. 2023;46(1):181-196. doi:10.1016/j.psc.2022.10.007. doi:10.1016/j.jpsychires.2024.12.029

  5. 5. Rodriguez CI. Hoarding disorder. In Tasman’s Psychiatry, 5th ed. Tasman A, Riba MB, Schulze TG, Ng CH, Alfonso CA, Lecic- Tosevski D, Kanba S, Alarcon RD, Ndetei DM, eds. Springer Publishing; 2024.

  6. 6. Saxena S, Sumner J. Venlafaxine extended-release treatment of hoarding disorder. Int Clin Psychopharmacol. 29(5):266-2, 2014. doi: 10.1097/YIC.0000000000000036

  7. 7. Saxena S, Brody AL, Maidment KM, et al. Paroxetine treatment of compulsive hoarding. J Psychiatr Res. 41(6):481-487, 2007. doi: 10.1016/j.jpsychires.2006.05.001

  8. 8. Piacentino D, Pasquini M, Cappelletti S, Chetoni C, Sani G, Kotzalidis GD. Pharmacotherapy for Hoarding Disorder: How did the Picture Change since its Excision from OCD?. Curr Neuropharmacol. 2019;17(8):808-815. doi:10.2174/1570159X17666190124153048

Pontos-chave

  • A acumulação geralmente é um transtorno crônico no qual as pessoas acumulam bens que congestionam e entulham áreas ativas de convívio, tornando essas áreas muito difíceis de utilizar como planejado e, às vezes, inseguras.

  • O descarte dos objetos causa sofrimento importante aos pacientes com o transtorno de acumulação.

  • Tratar utilizando terapia cognitivo-comportamental ou outra psicoterapia adaptada para tratar sintomas específicos de acumulação. Se a psicoterapia não for eficaz, pode-se considerar uma tentativa com um ISRS, um IRSN ou atomoxetina.

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